Angola sangra. Todos os dias. O regime nada faz para estancar a violência, protagonizada pela milícia, transvertida de fiscal. A fiscalização, nestes últimos anos é especialista em roubar, espancar e assassinar, maioritariamente, mulheres. Muitas… Mulheres indefesas. Mulheres honradas. Mulheres operárias, que trafegam pelas ruas com sentido de maternidade, vendendo honestamente, um pouco de tudo, para manter a sobrevivência familiar.
Por William Tonet
Nos primeiros meses do ano (Janeiro/Junho) de 2026, o país vem assistindo atónito ao crescendo de uma violência inqualificável protagonizada por agentes da Fiscalização, nos principais centros urbanos.
A Fiscalização não age nos marcos da lei, mas muito próximo dos da máfia, cuja delinquência é inqualificável.
A sua actuação e impunidade é como a de um exército encoberto, pronto para trabalhos sujos do regime, face à experiência militar dos integrantes, ex-militares e agentes policiais.
Em qualquer parte eles são órgãos das administrações públicas, cujo objecto é o regular do comércio ambulante, aplicando multas e coimas, contra os transgressores.
Em Angola essa milícia faz recurso a violência física contra mulheres e homens vendedores de e, na rua. Rouba os produtos à luz do dia. Não arresta.
Se alguém ousar deslocar-se à administração, reclamar não encontra nada, até por falta de espaços para manutenção de produtos secos e frescos. Logo, as apreensões têm um único destino; a casa dos agentes…
Nos últimos dias, para desgraça de muitas famílias, mais de 150 vendedoras e ambulantes foram brutalmente abordados e os seus produtos roubados.
Os ditos agentes, quais delinquentes de farda e colete azul, com estampa de Administração Municipal de …. prenderam ilegalmente, 68 pessoas, espancaram com lesões corporais 36 e assassinaram quatro mulheres. Actuação indevida. Maria Ngonga Kambule, Inocência Matias Zola e Engrácia Dambi, foram algumas das vítimas… Porque os fiscais que deveriam privilegiar o bloco e lapiseira, para aplicar coimas e multas aos transgressores, recorreram aos porretes e armas que discutem com a vida de inocentes. Mortalmente.
E diante desta barbárie os energúmenos estão livres. Têm imunidade, infelizmente, quando diversificam a dor e o luto de populares pobres e honestos. A justiça não lhes chega, tal como a educação e saúde, que o Estado lhes nega.
O Presidente da República ante esta violência que mata quem trabalha, honestamente, cala-se. O silêncio é cúmplice. O Palácio é conivente com a barbárie. Angola está a ruir. De fome. Miséria. Os cidadãos gritam de revolta.
Vilipendiam as políticas económicas do Titular do Poder Executivo. Enquanto isso, um exército de meninos entre quatro a oito anos, se multiplica nas ruas. As meninas, para comer, amiúde, são sexualizadas, em “colchões de betão”, nas esquinas e viadutos, tudo para alimentarem irmãos e pais.
Estes meninos, tratados como filhos bastardos, pelo Executivo do MPLA, integram os nove milhões fora do sistema de ensino e, dos outros, que assistem às aulas debaixo de 14 mil árvores, sentados em latas de leite (vazias).
Esta juventude discriminada, muitos, filhos de mães zungueiras, assassinadas por fiscais, carrega a bandeira das lágrimas no rosto de vergonha de serem de um país rico, em recursos naturais, mas pobre pela boçalidade governamental.
Os povos, neste reino do MPLA, já não vivem. Sobrevivem, resilientemente. Acreditam menos em Deus, ante a forma impune, como o Executivo, mata os pobres, excluídos do centro do orçamento.
Mas, ainda assim, mantêm uma fé em Nzamby, para continuarem a resistir, com as próprias forças de forma a contornarem o alto custo de vida, a fome, miséria, discriminação e novo colonialismo…
Ainda que os arrogantes, no governo finjam não ver, carruagens de jovens e mulheres, munidos de cartilhas de literacia, vai plantando carris de indignação.
O Executivo ouve-os e, nas calçadas, muitas mulheres zungueiras, vão confrontando, ainda não desafiando, alguns energúmenos da fiscalização, que roubam os seus pertences, com fardas do executivo. Oxalá, as ruas não institucionalizem a Lei de Talião.
As mães pobres, pedem socorro, mas da Cidade Alta, palácio presidencial, a voz das mulheres sofridas, dos jovens espancados e dos povos discriminados e assassinados, encontram um muro de indiferença…
Nem a maternidade da Primeira Dama, ouve o(s) grito(s) e clamor de mulheres que lutam com dignidade, rasgando a cidade, vendendo, orgulhosa e honestamente, para dar comida e estudo aos filhos e…muitas vezes, até maridos, desmobilizados das forças armadas, mas votados ao abandono, por parte de quem antes serviram, com galhardia e estão no poder.
Essas mulheres expõem-se ao perigo, apenas para não abrirem as pernas a qualquer homem, por simples quinhentos… São mulheres humildes, dos povos, das comunidades, mas honradas de um país que tarda em materializar os sonhos de liberdade e democracia.
Hoje, em cada legítima manifestação (art.º47.º) ou greve (art.º51.º), a luz da constituição, são recebidos para conversar, “belicamente”, pelas baionetas policiais, ao invés do patronato, que endossou a responsabilidade para a ditadura da bala, que não pergunta quando adentra fábricas, empreendimentos ou feiras, apenas espanca, humilha, prende e assassina, em nome do regime.
Mas, pese essa transfusão: patronato/polícia, a força não conseguirá calar a voz e consciência de milhões de cidadãos dos povos, que sonha com um amanhã livre deste cinquentenário fascismo.
2027 parece ser a linha vermelha. Todos se mobilizam, para as ruas e para a revolução…
O cidadão deixou de ter medo do rugir da ditadura, passou a acreditar no seu grito. E, mesmo sem força bélica, sem pão, sem sal, sem água, ele mantém a voz firme. Fixa um olhar felino, sobre as maracutaias batoteiras, na organização do IX congresso do MPLA e consolida a descrença, na possibilidade deste regime ser capaz de realizar, para o país, eleições gerais livres e justas, quando no seu interior abomina a democracia.
João Lourenço sem querer está a alfabetizar o povo de, como combater o demónio implantado institucionalmente, nos vários órgãos de um país, que tarda em ser República.
A inteligência, disciplina, convicção e união dos movimentos cívicos juvenis e profissionais parecem ser as armas eficazes para quebrar e contornar os obstáculos implantados pelo monstro monocrático, verdadeiro inimigo do pluralismo democrático, desde 1974, quando, com a conivência do Partido Comunista Português “assassinou” os Acordos de Alvor.
A implantação por João Lourenço, nos cerca de dez anos de intolerância política, filosofia da raiva e ódio para perseguir adversários, estão criadas as condições objectivas e subjectivas para um levante revolucionário, patriótico e nacionalista, face ao aumento da pobreza, da injustiça, desemprego, fome, inflação, alta do custo dos produtos da cesta básica, miséria e a progressiva colonização, que controla a soberania económica e financeira.
Diante deste quadro dantesco, a juventude tem ciência de não bastar ler a Bíblia e esperar por milagres divinos. Estes não virão, por pulularem nos corredores do poder, falsos profetas, que lideram, não igrejas, mas supermercados da fé, autênticas “prostitutas partidocratas”.
Angola temos de ser nós! Os discriminados dos ventos cardeais.
A multirracialidade. A multietinicidade. Os autóctones de todos os reinos e povos…
Os milhões, que anseiam por um amanhã diferente. Os milhões que enterrarão a arrogância ditatorial, num BASTA, que se multiplicará por todas avenidas mentais e físicas.
Um BASTA definitivo ao medo, para se enfrentar as balas das armas da ditadura, implantar a República e proclamar-se a INDEPENDÊNCIA IMATERIAL de que os angolanos tanto carecem.

